Uma Viagem musical pela Península Ibérica (Diário de Viagem)
Em meados de Abril deste ano me lancei numa pesquisa musical pela Península Ibérica. Meu tempo era curto (20 dias), portanto, precisava aproveitar o máximo. Com vários contatos cedidos pelo meu bom amigo Odair Sene, editor do Jornal Mundo Lusíada
(www.mundolusiada.com.br ), fiz um pequeno roteiro e segui.
Dei início à minha viagem a partir da bela Lisboa. Uma cidade que mistura o antigo com o moderno de forma tão harmônica, que não conseguiria ver um desassociado do outro. Seus Museus, seus Castelos e Igrejas. Tudo é História, tudo é Passado contando o Presente.
Em Lisboa tomei conhecimento do fado amador ou vadio, como é conhecido, tem outras características, embora a natureza saudosista seja a mesma. Nas casas de fado vadio, que agora voltam a respirar em Alfama e noutros bairros populares como o Bairro Alto, o fadista nunca é convidado... convida-se a si próprio.
Lá não há um programa estabelecido. Come-se um chouriço assado, bebem-se uns copos, apaga-se a luz e solta-se a magia destes espaços. Quem quer canta, dando asas aos seus sentimentos. O espírito de uma casa de fado vadio é necessariamente diferente do ambiente que se vive numa casa de fado profissional: ali, cumpre-se um ritual com dignidade e cerimônia; vive-se a festa das vontades e das sensações. É fado vadio, mas com postura. Arrisquei cantar o maravilhoso fado Canção do Mar, e todos no bar adoraram...
Conheci o Dr. Francisco Nuno Ramos, do Instituto Camões ( www.instituto-camoes.pt ), que se mostrou extremamente interessado em meu projeto. Ele é diretor do departamento de Serviços de Língua Portuguesa e Intercâmbio Cultural. Sua função é divulgar o idioma português em todo o mundo, daí o interesse em meu projeto. Sua gentileza e atenção para comigo foram gratificantes. Meu site será divulgado pelo Instituto e terá seu lançamento mundial no dia 24 de Maio (Parabéns Alexandre Favero e Zé Carlos Machado pelo excelente trabalho!).
Após cinco dias em Lisboa, tive que partir para Vila Nova de Gaia para participar do Programa Portugal no Coração no dia 22 de Abril, dia Mundial da Comunidade Luso-Brasileira. Foi um programa muito divertido e interessante. Com vários convidados. Merche e Marta, as apresentadoras naquele dia, eram lindas, simpáticas e inteligentes. A banda que toca ao vivo era excelente e minha apresentação foi muito bem recebida. Cantei REMANSO, e fui muito elogiada... Após mais ou menos 2 horas de programa tive a grata surpresa de falar com meu filho, Bernardo, ao vivo por alguns minutos...
Tive acolhida na casa de meu amigo Alessandro e da bela Lisandra, na cidade de Santa Maria da Feira. Lá era o meu porto seguro em Portugal. Toda a família de Alessandro foi tão atenciosos que nem sei como agradecer... Deixaram-me saudades!!!
De lá segui para Porto e depois para Miranda do Douro e Sendim. Era imprescindível que eu lá fosse, precisava conhecer mais o idioma Mirandês, com apenas cinco mil falantes, este idioma está fadado à extinção e ao esquecimento. Em Miranda Do Douro, com a ajuda da prefeitura, pude ir ao povoado e escutar o mirandês. Um idioma que mistura o espanhol e o português (toda a região de Traz-os-Montes localiza-se na fronteira com Espanha), uma mistura inusitada e harmônica, escrita de forma peculiar.
Em Sendim conheci Mario Correia, economista, que largou tudo e passou a se dedicar a recolhas de músicas e historias do povo de Traz-os-Montes. Ele é diretor do Centro Tradicional de Música "Sons da Terra", e responsável pela organização do Festival Intercelta que ocorre todos os anos em Julho. Na sede do Centro Tradicional há exposições e uma vasta discoteca/biblioteca de recolhas feitas ao longo dos anos.
Mas me faltava o galego... Ah! A Galícia... Através de um amigo em São Paulo, Gustavo Gonzáles, tive o prazer de conhecer Kina García e seu marido Carlos, que não só me abriu as portas de sua casa, como também as portas de seu conhecimento em relação à cultura galega. Kina e Xurxo Gonzáles (irmão de Gustavo) me levaram a uma festa típica, com música e dança. Era como se estivéssemos presos em um passado remoto, longínquo... Tudo era belo, mágico... A arte verdadeira que resiste ao tempo. Foi então que passei a perceber que toda a minha viagem era marcada por uma sincronia de acontecimentos, onde o ponto alto foi conhecer UXÍA. Uma das vozes mais conhecidas da Espanha, cantora galega que com sua belíssima voz leva seu canto e sua cultura aos quatro cantos do mundo... O mágico em conhece-la estava nas coincidências... Tomei conhecimento da obra de UXIA, através de Gustavo que me presenteou com o CD Estou Vivendo no Ceo, que passou a me acompanhar em minhas caminhadas diurnas, em minhas divagações... Percebi que o galego deveria fazer parte de meu repertório, fechando o ciclo português/mirandês/espanhol. Faltava o galego... Essa intercessão do idioma. Onde palavras de matriz portuguesa predominam... Lá eu falava em português e eles me respondiam em galego, faziam questão disso... Como são deliciosas essas aproximações!
Minha conversa com a simpática UXIA iniciou-se no Museu de Arte Moderna e terminou em uma taberna, no coração da Bela Santiago de Compostela. Eu tinha uma voz em minha mente e conhecer a pessoa da voz que, com sua forma didática e espontânea dava continuidade a tudo aquilo que me era tão precioso, foi uma experiência impagável...
A viagem chegava ao fim... Na bagagem trouxe amigos, fotos, cd´s (vários deles), e um novo repertório, que poderá ser conhecido através do show Ibéricos 2004!
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